17-10-2014

Mercado de Matosinhos, 17h00, dia 15 de outubro de 2014. O chão ainda está molhado; as bancas de peixe luzem, impecavelmente lavadas; a freguesia habitual dispersou há pouco. Há cheiro a mar e a fresco. Lá fora a chuva cai copiosa, cá dentro sentimo-nos em casa. Poderíamos afirmar que a sensação familiar chega por meio das novas valências deste espaço, que hoje (e depois de obras de reabilitação profundas) alberga uma incubadora de empresas de design, negócios emergentes, projetos criativos. Poderíamos, por aqui, remeter o nosso bem-estar para o facto de estarmos num dos centros nevrálgicos de uma nova dinâmica que permite à Câmara local avançar, no início de 2015, com a candidatura de Matosinhos a Cidade Criativa da UNESCO. Mas antes de tudo isso há o elemento humano, e esse, nesta nossa experiência de casa, leva-nos a quem faz o mercado: há os novos locatários, criativos empreendedores, mas há também os que chegaram primeiro e nunca arredaram pé – os comerciantes, as peixeiras; homens e mulheres de riso fácil, sem medo do gesto e da palavra. E são eles, acolhendo-nos bem, que tornam o mercado também nosso. Foi desta forma, boa de tão honesta, que começou o Super Bock Laboratório Criativo.
Numa 9.ª edição subordinada ao tema “Enraizar”, estivemos num lugar de raízes, onde mora a identidade de uma comunidade, uma cidade, que faz questão de cuidar das suas tradições lançando sementes ao futuro. É nesta mistura de tempos, na heterogeneidade de agentes, que se faz uma economia viva.
Num ambiente inspirador, conversámos. Juntámos convidados que manifestaram, na primeira pessoa, os modos como criatividade e empreendedorismo se misturam num corpo só; falámos de visão e estratégia de negócio, da importância da paixão investida num projeto; abordámos formas de alcançar o mercado global, sabendo que o sucesso não tem fórmulas prontas – e tudo isto enquanto o galo cantava. Sim, um galo cantava no mercado neste dia em que os da casa nos fizeram sentir muito bem-vindos. Cantava, como que anunciando um Laboratório ainda a começar. Calou-se depois, chegando a noite, deixando-nos em festa.
 
(A ilustrar este texto, imagem do ambiente no Mercado de Matosinhos durante a conversa “A Raiz e o Quadrado” – fotografia de José Eduardo Cunha) 
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