01-12-2014

Foram os cinemas a esvaziar-se, as salas independentes a fechar. Foi a cena cultural em geral a enfraquecer, uma cidade a fazer a travessia do deserto. Sim, foi. Mas o Porto está hoje vibrante, com vontade de fazer acontecer, empenhado em marcar a agenda. É na forma da resiliência e da (re)ação que se faz a primeira edição do Porto/Post/Doc - Film & Media Festival, a acontecer entre 4 e 13 deste mês.
Distribuído por três espaços culturais do centro da cidade – Teatro Municipal Rivoli, Cinema Passos Manuel e Maus Hábitos –, o festival permitirá exibir 50 filmes documentais, o que significa “outras tantas perspetivas pessoais sobre a realidade”, como observa a organização.
Para além das sessões de competição e das sessões de cinema temáticas, o programa integra concertos, masterclasses, workshops e encontros. Ocorre, assim, um festival “com um ambiente dinâmico e integrativo, onde todos, independentemente da sua área ou ligação ao cinema, participam e discutem e se juntam para ver (e fazer) documentários”.
O evento é organizado pelo Porto Post Doc, uma associação criada em março de 2014 na cidade por “pessoas de várias profissões, qualificações e idades, unidas na paixão pelo cinema. Não conformadas com o encerramento de salas de cinema, reuniram-se com o objetivo de dinamizar o cinema na cidade, em três níveis: voltar a trazer o público às salas, estimular a nova produção e criar um novo festival internacional de cinema, com particular incidência na área do documentário”.
Esta edição de estreia surge, então, com desígnios bem definidos: “Trazer ao Porto um festival de grande dimensão e qualidade”, capaz de “preencher uma evidente lacuna cultural e trazer a programação e produção cinematográfica à cidade”.
Sobre os 50 filmes a exibir, a organização apresenta-os como “50 histórias sobre o nosso mundo, contadas pelo olhar de inúmeros cineastas, tanto consagrados como emergentes. São 50 exemplos da produção recente de documentários que, acreditamos, irão enriquecer a vida do público que participe no festival”.
O Porto/Post/Doc afirma-se desde o primeiro momento como “uma montra privilegiada do que se faz em Portugal”. O documentário é o seu universo, mas o festival coloca-se, neste âmbito, “numa fronteira”: assume a “herança” do género, mas realça a crescente tendência para o seu domínio ser infiltrado por “formas de ficção”.
 
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