23-05-2016

Agência de ilustração portuguesa representa mais de 60 artistas nacionais e estrangeiros.
 
É um projeto português para o mercado global, com sede no Polo das Indústrias Criativas do UPTEC, no Porto. Criada em 2010 por Inês Silva e o marido, Carlos Praça, a illustopia enfrentou a crise económica em Portugal e focou-se, desde o início, na internacionalização dos talentos que representa na área da ilustração.
 
Nascer em tempo de crise
A illustopia foi formalmente constituída em novembro de 2010. A ideia, conta Inês Silva, “foi sempre procurar trabalho de ilustração fora dos países onde os artistas residem” e, dessa forma, promover a sua internacionalização. Tendo arrancado o projeto num ano em que Portugal “estava a viver uma recessão económica, numa altura em que se sentiu uma retração da procura de ilustração e uma dilatação dos prazos médios de pagamento, mais importante seria que os artistas nacionais conseguissem trabalhar fora do país”.

Um serviço abrangente
Desde o início que o conceito da illustopia “foi pensado para ir um pouco além do trabalho de uma típica agência de ilustração”, frisa a responsável. Para além de agenciar internacionalmente artistas de várias nacionalidades, a intenção “foi sempre fazer a gestão dos projetos angariados por forma a libertar o ilustrador de tarefas que lhe retiram tempo para fazer o que ele sabe melhor – criar, ilustrar”. Ao longo do tempo, a empresa também tem vindo a alagar a sua oferta com serviços complementares à área da ilustração, como design gráfico ou paginação.

E vale a pena procurar uma agência?
Claro que a pergunta é uma provocação. Na ótica de Inês Silva, as vantagens são várias: os artistas “têm maior facilidade em aceder a outros mercados, veem reduzido o seu trabalho administrativo ao ter alguém a intermediar a relação com os clientes e conseguem valores mais justos pelo seu trabalho, por haver uma relação menos desequilibrada em termos de poder negocial”; por seu turno, os clientes “são aconselhados sobre o tipo de trabalho que mais se adequa aos projetos que têm em mãos, têm alguém que os ajuda na gestão dos mesmos, e a garantir o cumprimento de prazos, e têm acesso a uma variedade de linguagens visuais”. E para a illustopia? “O objetivo final será, obviamente, fazer tudo isto e ter uma atividade rentável.”

A conquista do mercado
Contra as expectativas iniciais, a illustopia começou por ter maior adesão de artistas estrangeiros, “talvez porque no exterior já existam mais agências de ilustração e há mais tempo”, explica Inês, que notou “alguma resistência por parte de artistas nacionais. Face a isto, constatámos que o nosso papel passaria por desenvolver um trabalho profissional e que, aos poucos, essa informação iria circulando e acabaríamos por ter artistas nacionais interessados numa representação. E assim foi; hoje em dia representamos vários ilustradores portugueses como é o caso de João Vaz de Carvalho, Marta Madureira, José Manuel Saraiva, Cátia Vidinhas, Mariana Rio, entre outros.”
No mercado interno, também a recetividade por parte de potenciais clientes “foi aumentando. No início, muitos clientes não estavam habituados à figura do ‘agente’ na área da ilustração e sentiam isso como um obstáculo  na relação com o artista; gradualmente, foram percebendo que o agente propicia uma maior eficiência e que, como numa equipa, estamos todos empenhados em obter o melhor resultado”.
Curiosamente, a reação “foi muito semelhante” em países da América do Sul ou da Europa Oriental. Já “em países anglo-saxónicos e do centro da Europa não há resistência a trabalhar-se com agentes. Aliás, existem mesmo empresas que especificam que apenas querem ser contactadas por agentes. É tudo uma questão de hábito – na área da música, por exemplo, o estranho será não haver agente.”

Como estamos de ilustração em Portugal?
“Em Portugal temos excelentes ilustradores”, começa por afirmar a mentora da illustopia. E apesar de não termos um número de ilustradores tão expressivo como existe “em países com mais tradição e mais escola na área, como Itália, França ou Polónia”, tem havido “um crescente interesse, por parte de clientes estrangeiros”, em trabalhar com talentos nacionais.
De acordo com Inês Silva, o mercado da ilustração em Portugal está ainda pouco “profissionalizado”, sobretudo quando comparado com países de referência. As deficiências são várias: por exemplo, “não existe uma associação de ilustradores; os ilustradores muitas vezes são encarados como meros ‘prestadores de serviços’, não como ‘autores’; e eles próprios desconhecem o código de direito autoral e os direitos que têm como autores”.
Da parte do ensino, “há muito a fazer. Creio que é dada uma boa preparação em termos técnicos, mas já não é dada formação noutros aspetos práticos da vida profissional de um ilustrador, nomeadamente em termos de desenvolvimento de competências de negociação, de aquisição de conhecimentos sobre o enquadramento legal da atividade (direitos e deveres) ou de experiência com a indústria gráfica, entre outros”. São questões para além da arte, é certo, mas são fundamentais na prossecução de um projeto de sucesso.
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