13-10-2014

No futuro as casas vão seguir o sol e ter autonomia energética. Vão poder mudar de lugar sem prejuízo para o meio ambiente. E vão crescer com a família, como um corpo moldável e inteligente. Ora o futuro é o minuto a seguir, aquele em que lhe apresentamos um dos finalistas do nosso Prémio, inscrito na categoria “Arquitetura e Artes Visuais”: sim, já há Casas em Movimento (CEM).
Nascido em 2008, no âmbito do projeto Lidera da Universidade do Porto, o conceito tem a assinatura de Manuel Vieira Lopes, arquiteto. Alvo de atenção ao nível nacional e internacional, mereceu já o elogio de individualidades como Siza Vieira ou Souto Moura – são os mestres a validar uma solução única e pioneira, protegida por patente, que responde aos requisitos de sustentabilidade, mobilidade e adaptabilidade do séc. XXI.
A natureza indicou o caminho. O “efeito girassol” destas casas surge através da combinação de dois movimentos, o de rotação do próprio edifício (que gira aproximadamente 180° de nascente para poente ao longo do dia) e o de rotação da sua cobertura fotovoltaica, que pela inclinação maximiza a exposição ao sol. Acontece, desde modo, uma elevada produção de energia limpa e gratuita. Esta autossuficiência energética (ao ano é produzida cinco vezes mais energia do que a consumida) acarreta outras vantagens que importa reter: a redução de emissão de CO2, a redução em pelo menos 80% nos consumos em climatização e, obviamente, a redução de custos.
Outra característica diferenciadora é a conceção modular, o que significa uma brutal capacidade de adaptação. A facilidade de adição ou subtração de módulos não só permite mudanças de programa de construção a qualquer momento, como indica agilidade e rapidez na resposta de fabrico e montagem. Chega-se, assim, a outra mais-valia da marca: a possibilidade de transportar a casa para um outro local, seja qual for o clima. Por tudo isto, as CEM podem ser construídas inclusive em locais sem abastecimento de rede elétrica.
A preparar-se para habitar o mundo, assumindo-se como “a casa que se paga a si própria e em poucos anos”, a Casas em Movimento (o produto justificou a criação de uma startup) tem no sector hoteleiro um dos seus mercados-alvo. Mas as portas estão abertas a todos os que procuram uma solução “verde”, económica e que dá um sentido literal e novo à frase “querido, mudei a casa”…
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