08-01-2015

Após uma vida estacionada num parque de campismo no Algarve, uma rulote faz-se à estrada transformada em galeria de arte, apresentando exposições que se completam na relação com o lugar e a comunidade de acolhimento. A experimentação dá corpo à matéria da bagagem, o inesperado acontece no diálogo com o público. É esta a natureza da Roulote – Projectos Artísticos, que quisemos conhecer melhor entrevistando os seus criadores, Pedro Pires, artista plástico, e Teresa Pires. Aguardamos agora que esta rulote passe perto de nós – ou iremos nós até ela…
 
Qual é o conceito da Roulote - Projectos Artísticos?
A Roulote é uma galeria de arte com duas rodas, preparada para levar exposições a todo o lado, desde o Gerês a bombas de gasolina da 2.ª Circular, Serralves ou mesmo ao seu habitat natural: parques de campismo.
 
Podemos depreender que tem uma natureza intrinsecamente romântica?
De certo modo, sim, no sentido que é um objeto improvável. É inesperado encontrar uma exposição de arte dentro de uma rulote, num espaço tão pequeno e que pode deslocar-se para qualquer local. Tentamos sempre encenar o ambiente que habitualmente se associa a rulotes, para que as pessoas relacionem a sua visita à exposição com essa experiência.
 
Como surgiu o projeto?
Tínhamos esta ideia de criar uma galeria de arte numa rulote, uma vez que abria possibilidades de experimentação artística únicas, relacionando o objeto rulote com a exposição e com os locais e contextos por onde ela passa.
No verão de 2013 comprámos a Roulote no OLX e fomos buscá-la a Portimão, onde esteve estacionada num parque de campismo durante toda a sua vida. Depois transformámos o interior num white cube: retirámos todo o recheio da rulote, pintámos o interior e colocámos um chão novo. Fizemos tudo para a deixar com aspeto de galeria de arte.
Realizámos a primeira exposição em outubro desse ano, com o artista plástico João Dias.
 
Como tem sido a recetividade do público?
Tem sido muito boa. A Roulote desperta no público muita curiosidade. Já nos perguntaram se vendíamos hambúrgueres ou se fazíamos tatuagens. Esta é uma das características mais interessantes do projeto, o facto de muitos dos visitantes não saberem de antemão que estão a entrar numa exposição.
 
Em termos de negócio, que oportunidades se apresentam?
Neste momento o nosso objetivo é que o projeto funcione como uma plataforma para a experimentação artística, fazendo quatro a cinco exposições por ano. Estamos a trabalhar no sentido de conseguir apoios ou patrocínios, mas não estamos dependentes disso. Em cada exposição há postais ilustrados pelos artistas à venda, tal como um múltiplo realizado especificamente para o evento.
 
O que já cumpriu a Roulote?
Abrimos com a exposição do artista João Dias, que passou pelo Martim Moniz e pela Fábrica do Braço de Prata, seguido de Joana Roberto em dois jardins de Lisboa. Em maio de 2014, estivemos no Hospital Curry Cabral em Lisboa, com uma exposição de Rui Romão. Em agosto saímos pela primeira vez de Lisboa, até à Figueira da Foz, para estar no Fusing Festival com um projecto do belga Burry Buermans. Acabámos o ano com uma instalação de Leonor Pêgo, integrada no Greenfest no Estoril.
 
Que programa está delineado para 2015?
Ainda estamos a fechar a programação para este ano, por isso ainda não podemos revelar nada em concreto.
 
Até onde vai a Roulote? De que tamanho é o seu mapa?
Não pensamos em sair de Portugal. A escolha do local depende sempre das intenções do artista e de como o seu projeto se relaciona com os contextos.
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