17-12-2014

Chama-se nomadmovement a primeira rede social para viajantes. O projeto, feito em Portugal mas nascido para o mundo, foi apresentado esta quarta-feira e promete entrar em velocidade de cruzeiro em 2015. Da rota estratégica para financiamento e desenvolvimento do conceito está uma campanha de crowdfunding, acabada de lançar. O entusiasmo é legítimo e as expectativas são boas quando o assunto remete, afinal, para uma paixão universal. Quisemos, por isso, falar com João Monteiro, cofundador e CEO da nomadmovement, uma startup incubada no UPTEC (Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto).
 
Qual é o conceito do projeto?
O nomadmovement é uma rede social para viajantes onde estes podem criar e partilhar com o mundo os seus diários de viagens. O registo das viagens foi algo que sempre se realizou. Contudo, as novas tecnologias criam hoje uma necessidade de partilha em tempo real e em grande escala, que não existia anteriormente. Assim, o diário de viagem físico deixou de fazer sentido não só pela vertente da partilha, mas também devido ao facto das fotografias e vídeos terem passado totalmente para o formato digital.
 
Como funciona?
O nomadmovement criou um diário online, organizado cronologicamente, onde os utilizadores podem registar as suas experiências de viagem em texto, fotografia e vídeo. A possibilidade de partilha tem dois aspetos muito relevantes nesta plataforma. Por um lado, o utilizador que publica o diário tem a possibilidade de informar todos os amigos e seguidores de todos os acontecimentos ao longo do seu percurso. Por outro, e esta é uma funcionalidade importante, é permitida a pesquisa de informação e planeamento para viagens futuras. O utilizador pode ver os diários dos demais utilizadores sobre os destinos que lhe interessam, o que representa uma útil ferramenta para organização da sua própria viagem de forma mais eficiente e personalizada.

Como surgiu esta ideia?
Há sensivelmente um ano, quando cheguei de uma das minhas viagens pensei na quantidade de fotografias que tirei, vídeos que filmei, apontamentos que fiz, e cheguei à conclusão que a maioria destes nunca mais os ia ver. Iam ficar perdidos e dispersos em pastas, discos rígidos, redes sociais. Depois de uma conversa com o Vasco e o Pedro percebi que este era um problema comum. Realizámos então um pequeno estudo e concluímos que 80% das recordações dos viajantes ficam perdidas. Por isso mesmo decidimos resolver este problema e avançar com o projeto nomadmovement.
 
Quem faz, então, a equipa?
A equipa começou comigo [João Monteiro, economista e marketer], com Pedro Mendes (web developer) e Vasco Vinhas (web developer). Logo a seguir entrou o Francisco Sousa Otto (também economista, trata da parte financeira). Depois da nossa ida a Dublin [o projeto foi apresentado no Web Summit] entrou a Matilde, que está em Londres (nossa responsável de marketing) e a Sarah Smith da Austrália (copywriter e criadora de conteúdos).
 
Que mercados pretendem alcançar?
O mercado português, por razões de proximidade com o público, servirá para testar a versão beta, que estará disponível até dia 31 de janeiro e só para quem contribua na campanha de crowdfunding que estamos a lançar.  Queremos também entrar nos mercados dos países de língua inglesa.
Pretendemos apostar ainda em países como Reino Unido, Estados Unidos, Canadá e Austrália, por serem os países com maior número de viajantes e, fundamentalmente, por serem capazes de criar tendências mundiais.
 
Em que fase de desenvolvimento está o projeto?
A plataforma já está construída. Estamos neste momento a corrigir alguns erros de usabilidade que detectámos e pretendemos abrir logo de seguida a plataforma para quem contribua para a nossa campanha de crowdfunding que iremos lançar hoje [quarta-feira, dia 17 de dezembro].
 
Em que termos decorrerá a campanha de crowdfunding?
A apresentação do nomadmovement ao público português, hoje, marca também o início da campanha de crowdfunding. Há, obviamente, um custo substancial envolvido na construção de um site capaz de lidar com o tráfego que previmos ter. Deparamo-nos agora com o desafio da construção de mecanismos novos e mais fortes que sejam capazes de lidar com centenas de usuários. 
A campanha decorrerá na plataforma de crowdfunding Indiegogo (conhece-a AQUI), com o objetivo de angariar cerca de 30 mil euros. Para além de todos os custos envolvidos na construção do site, pretendemos desenvolver uma app que permita facilitar o acesso ao nomadmovement a nível global, não descuidando também as campanhas de marketing e publicidade essenciais para fazermos chegar a nossa mensagem.
 
Por fim, que objetivos pretendem alcançar em 2015?
Queremos angariar, até março, cerca de 10 mil utilizadores. Até ao final de 2015 pretendemos ultrapassar a barreira dos 100 mil utilizadores.
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