07-07-2014

É um caso de inovação sobre a tradição. Recém-criada como empresa, a CALX nasceu para exportar a calçada portuguesa, graças a uma solução inovadora e standardizada. Ainda que muito recente, o currículo deste projeto com sede em Porto de Mós é notável: foi finalista do Prémio Nacional Indústrias Criativas em 2012, o que permitiu definir o seu modelo de negócio; ganhou o Passaporte para o Empreendedorismo e o concurso Arrisca C na categoria de Melhor Plano de Negócios; já em junho passado venceu o Prémio Jovem Empreendedor, atribuído pela ANJE. Por aqui se denota um percurso sólido e uma vontade de pedra em conquistar mundo. Mas deixemos o texto por conta dos protagonistas desta história, os irmãos Nídia e Eduardo Alves, a quem se juntou Romeu Amad.
 
Emocionalmente, como definem o conceito CALX?
Calx é uma palavra latina cujo significado é calcário, a matéria-prima utilizada na calçada portuguesa. Este conceito permite remontar à época romana, onde reside a origem desta técnica. Permite também reforçar a ideia de que se preserva a técnica de aplicação dos calceteiros e a matéria-prima original, conferindo ao produto um caráter genuíno.

Em termos de produto, o que diferencia a CALX?
O produto, resultante de um processo produtivo inovador já patenteado, vem resolver as dificuldades que existem na exportação de calçada portuguesa. É uma solução standardizada, facilmente transportada e aplicada por qualquer ladrilhador comum, em qualquer lugar do mundo, de uma forma fácil, rápida e económica. Constitui também uma valorização de um produto português com um forte legado histórico no mundo, que vai permitir a revitalização de um setor económico da região (Porto de Mós).

Como tudo começou?
A ideia surgiu há cerca de sete anos, quando José Eduardo Alves [pai de Nídia e Eduardo; presidente de uma empresa de exportação de cerâmica] foi confrontado com as dificuldades em colocar calçada portuguesa numa casa em Nova Iorque. Logo aí, face aos constrangimentos do processo, realizaram-se os primeiros protótipos. Mas só em 2012, com a participação no Prémio Nacional Indústrias Criativas, a ideia foi convertida num plano de negócios. Realizámos novos protótipos de forma a identificar as fases e custos de produção e demos início ao processo de registo da propriedade industrial do processo produtivo.
Desde então temos desenvolvido progressivamente o produto e a linha de produção. Para tal contámos com o apoio do Passaporte para o Empreendedorismo durante um ano, terminado em abril último. Por esta altura o produto e linha de produção atingiram uma fase de maturidade que nos permitiu avançar com a constituição da empresa, em junho.
 
Foram finalistas do Prémio Nacional Indústrias Criativas em 2012. Agora venceram o Prémio Jovem Empreendedor. Que reflexos têm estas iniciativas no vosso projeto?
A participação no PNIC 2012 foi um passo decisivo; permitiu-nos converter a ideia num plano de negócios. Foi também um primeiro reconhecimento do nosso projeto, que rapidamente despertou a atenção dos media. Foi, portanto, uma grande janela de oportunidades para a CALX.
O Prémio do Jovem Empreendedor representa um impulso determinante para a fase de arranque em que a empresa se encontra. Além da excelente publicidade e prestígio para a CALX, constitui um fundo de maneio essencial para darmos início à produção de stock do produto, de modo a respondermos aos pedidos de encomendas que têm surgido.

Qual é o mercado CALX?
Os nossos targets têm sido identificados com base nos contactos surgidos após a exposição do projeto nos media. Sendo o produto concebido como solução para exportação da nossa calçada, os targets mais imediatos são os mercados da diáspora portuguesa, mas também já fomos abordados pelos mercados do Médio Oriente, EUA, Japão, entre outros. Os canais de distribuição são empresas de construção civil sediadas em Portugal e no estrangeiro, mas também intermediários com interesse na importação do produto e clientes finais.

Como se apresenta o futuro?
A curto prazo, o objetivo é claramente consolidar a empresa e evoluir no volume de negócios, afirmando-nos assim no mercado. Atualmente o nosso produto standard é a placa de calçada portuguesa polida, óptima para aplicação em interiores. Após fecharmos a fase de testes industriais e termos a linha de produção a funcionar, queremos evoluir para outras vertentes do produto (por exemplo, uma solução antiderrapante para exteriores) e outras aplicações (como o revestimento de superfícies verticais e peças de mobiliário). A longo prazo, esperamos concretizar algumas destas ideias, e alargar, assim, as aplicações e utilização da calçada portuguesa.

Pelos contactos que vêm realizando, que ideia tem o mundo da calçada portuguesa?
É muito apreciada nos países da diáspora portuguesa, mas não só. Por outro lado, é do senso comum que a calçada portuguesa é dos cartões de visita mais valorizados pelos estrangeiros que visitam Portugal. Esse reconhecimento, este caráter história e cultural inerente à calçada portuguesa, representa para nós uma vantagem competitiva.

Esta é também uma oportunidade para Porto de Mós.
Todas as pessoas envolvidas no projeto são de Porto de Mós. O concelho é conhecido, entre outras actividades, pela exploração de calçada portuguesa. Num raio de 15 km temos a matéria-prima, a mão-de-obra e o know-how dos calceteiros, bem como várias empresas de transformação de pedra.
 
E de Porto de Mós, o mundo. Como definem a vossa estratégia de internacionalização?
O caráter inovador do produto e a estratégia de internacionalização estão correlacionados, uma vez que o produto foi inicialmente concebido para exportação, devido às dificuldades que vem suprimir. A estratégia é, pois, facilitar a chegada da calçada a qualquer país, como qualquer pavimento comum, sem dificuldades acrescidas. Utilizamos um produto mundialmente conhecido e apreciado, e queremos fazê-lo chegar aos nossos emigrantes, aos estrangeiros que já conhecem e adoram o produto, mas também a todos os que procuram um produto único, de qualidade.
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